Yurick

Olhos azul-claro, cabelos brancos e pele branca. Sem as tatuagens comuns à raça dos eladrins de Raklot. Mede 1.75m e é esguío. Tem uma bela aparência e está sempre sorrindo calmamente.

Description:
Bio:

Conheci Yurick Ashnarial quando eu tinha apenas doze anos de idade. Ele era um bebê com menos de um ano e seu “pai”, meu mestre, o havia encontrado na floresta. Eu era o mais novo aprendiz do mago Garren Ashnarial e meus pais haviam custeado meus estudos em Kelt. Eu tinha um pequeno quarto na casa do meu mestre e foi de lá que ouvi o choro do bebê eladrin trazido por ele naquela noite chuvosa de outono. Garren havia voltado de uma longa viagem ao norte e estava exausto. Suas vestes azuis estavam encharcadas, seus longos cabelos castanhos estavam escorridos e a água da chuva pingava, sujando o chão de pedra da casa. Jolk, o criado de Garren vinha da cozinha com uma manta, uma toalha e uma chícara fumegante deleite quente que meu mestre sorveu devagar enquanto desembrulhava o pequeno Yurick. Eu fiquei atrás de uma das colunas de madeira da casa, observando a criança eladrin de olhos azuis que chorava desesperadamente. Jolk sorriu e fez um comentário a respeito dos poderosos pulmões da criança e meu mestre sorriu enquanto secava o bebê sobre a mesa da sala. Somente alguns dias depois, durante o café da manhã, meu mestre contou que em sua travessia pela Floresta das Aranhas, perdeu-se do grupo de mercenários que havia contratado para escoltá-lo. Durante vários dias Garren vagou pela floresta, tendo que enfrentar aranhas gigantes e goblins. Ele não sabia se estava perto de sair da tenebrosa floresta e suas tentativas de contatar os mercenários por meios mágicos haviam sido em vão, pois nenhum deles o encontrou. Foi então que, numa noite, meu mestre ouviu o choro de uma criança. Intrigado, seguiu o som até uma pequena clareira iluminada pelo tênue luar. No centro da clareira um bebê de pele e cabelos tão brancos quanto a neve e olhos de um azul claro luminoso chorava sozinho. Temendo ser uma ilusão criada pelos espíritos da floresta, meu mestre se aproximou com cautela, empunhando seu cajado branco, atento para qualquer ataque vindo das sombras da floresta. A criança parou de chorar quando meu mestre se aproximou dela. O pequeno eladrin sorriu quando Garren o levantou com uma das mãos e o segurou nos braços. O bebê estava coberto apenas por um pequeno pedaço de tecido azul escuro. Garren olhou ao redor, esperando um ataque que nâo veio. No entanto, uma coisa chamou a atenção de meu mestre. Haviam duas grandes árvores cujos troncos pareciam retorcidos, indo de encontro um ao outro. Os galhos dessas duas árvores estavam entrelaçados e os dois troncos formavam o que parecia um portal em meio à densa floresta. Uma estranha luminosidade esverdeada permeava as duas árvores e o espaço entre elas brilhava com a fantasmagórica luz verde. Garren deu alguns passos em direção do portal, ainda temendo ser uma armadilha. Então, a luz verde dentro do portal tornou-se cada vez menos intensa e Garren pode ver o rio Bran. Na imagem do portal aparecia também a cidade de Kelt. O mago sorriu pois sentiu que sua sorte estava mudando. Quando estava prestes a atravessar o portal, virou-se novamente para a clareira com o eladrin em seus braços e então viu um grupo de criaturas estranhas, olhando para eles. Eram humanoides mas sua pele era grossa e marrom como a casca das árvores e em lugar de cabelos, tinham folhas e galhos. As cinco criaturas olhavam fixamente para Garren que colocou o cajado diante do bebê, protegendo-o. As dríades recuaram e uma delas mudou de forma, transformando-se numa belíssima mulher humana, de cabelos negros revoltos e olhos selvagens que brilhavam como duas chamas azuis na escuridão. A mulher apontou para o bebê eladrin e sorriu, indicando com as mãos que Garren deveria levá-lo para o portal. O mago sorriu e recuou, olhando para as criaturas da floresta. Então, virou-se e entrou no portal, aparecendo perto do rio, a alguns quilômetros de Kelt.

Durante vários anos ouvi essa história. Cada vez que meu mestre a contava, eu e Yurick ouviamos atentos, imaginando com riqueza de detalhes a floresta e as dríades. Yurick perguntava mais sobre seu passado mas Garren repetia que o que ele sabia era apenas que as dríades o haviam protegido dos animais selvagens e monstros daquela floresta por algum motivo que talvez nunca seria revelado. O pequeno eladrin era agora uma criança de cinco anos e aprendia rapidamente. Chamava Garren de pai e mal conseguia pronunciar meu nome. Por várias vezes me chamou de Ognarf ou Onarg e eu sempre o corrigia dizendo que me chamava Ognar. Garren estava ficando velho, eu aprendia cada vez mais e logo seria um mago, como ele. Yurick era fascinado por magia e tentava aprender copiando os gestos que Garren me ensinava. O pequeno eladrin brincava de desenhar símbolos mágicos com pedaços de carvão e lia sobre as lendas e a história do reino na enorme biblioteca de Garren. Quando deixei Kelt, eu já era um homem de vinte anos. Havia decidido que tinha aprendido o que podia com o velho Garren Ashnarial e estava pronto para viajar pelo mundo e aprender na prática sobre os segredos da magia. Yurick chorou quando fui embora pois nós eramos como irmãos. Passei dez anos sem vê-lo mas recebia notícias suas através das cartas de meu mestre. Yurick, o eladrin, crescia em tamanho e conhecimento. Seu pai estava orgulhoso e em suas cartas contava como o jovem tinha se tornado um excelente aprendiz. Garren estava cansado e no dia do aniversário de vinte anos de Yurick escreveu-me uma carta com ordens expressas. Eu não tinha como negar um pedido de meu mestre e fiz tudo conforme sua vontade.

Um ano depois, Garren morreu de velhice. Fui a Kelt para seu funeral e nunca vi Yurick tão triste. Apesar do leve sorriso que o eladrin esboçou ao me ver, lágrimas marcavam seu rosto branco. Foi um dia terrível para nós. Ao voltarmos para a casa de Garren conversei com Yurick, que agora era um jovem adulto, sobre as ordens de seu pai. Garren havia deixado a casa e todos os seus pertences para mim, sob a condição de que Yurick receberia algumas coisas específicas para iniciar sua carreira como mago. A biblioteca, o laboratório e o dinheiro que Garren guardava secretamente no porão ficariam comigo. Garren havia dado mais algumas ordens mas essas eram um segredo confiado somente a mim e eu deveria contar a Yurick apenas quando este me procurasse, já como um mago experiente. Yurick ficou com o antigo cajado branco de Garren, algum dinheiro e um livro de magias. Fora isso, podia contar apenas com as roupas do corpo e um pequeno pseudodragão, o mascote que Garren havia comprado para ele em seu aniversário. O jovem eladrin aceitou a vontade de seu pai adotivo e sorriu para mim quando deixou a casa com Nevasca, o pequeno pseudodragão albino em seu ombro.

Eu vendi a velha residência e mandei os livros e pertences para Naivira, onde eu vivia agora. Eu tinha trinta e um anos e havia passado por muita coisa ao lado de outros três aventureiros. Eu era membro da Escola de Magia Elementalista de Naivira e tinha muitas responsabilidades. Yurick, por outro lado, tinha uma vida de aventuras pela frente e eu sabia que ele se tornaria um grande mago como Garren Ashnarial. Hoje eu recebo visitas regulares do meu amigo e quase irmão de pele alva e olhos turquesa e vejo que a cada ano ele se torna mais e mais poderoso. Ele busca meu conselho de tempos em tempos mas creio que um dia, serei eu a pedir os seus…

Ognar Rondrak, Reitor da Escola Elementalista de Naivira

Yurick

Crônicas de Raklot Gene_DM