Crônicas de Raklot

O Mestre dos Espelhos

Ainda era cedo quando Gaultak, Kayron, Kristryd, Venorik, Zanne e Arathon saíram das ruínas do templo de Pelor após derrotar os drows e mortos-vivos deixados pelo misterioso necromante. Kayron ainda enxugava as lágrimas derramadas por acreditar que fracassara em seu objetivo de reaver a esfera de teleporte do templo e era consolado por Zanne.

Os aventureiros foram até a entrada das ruínas e decidiram descansar ali. Zanne ficou perto da porta, tocando uma suave melodia com seu alaúde enquanto o enorme cavalo de batalha de Gaultak pastava tranquilamente no gramado da pequena colina onde os restos do templo apareciam em meio à vegetação.

Subitamente, o som de risos joviais atraiu a atenção da barda que se levantou e deu alguns passos para longe da entrada do templo. Na floresta, entre as grandes árvores, um par de figuras apareceu. Eram um homem e uma mulher extremamente belos, com um olhar assustadoramente doce, traços finos e orelhas pontiagudas. Seus cabelos eram castanhos e adornados por flores e folhas verdes ainda, apesar do outono. Estavam completamente nus e se beijavam e riam alegremente enquanto olhavam para Zanne. A barda, sem conseguir conter sua curiosidade, seguiu até a floresta mas não sem antes avisar Venorik. Zanne entrou na mata, ainda conseguindo ver de relance as belas criaturas que saltavam, corriam e brincavam alegremente. A mulher sorria para Zanne e a chamava sorrindo, convidando-a a participar da estranha dança entre as árvores. A barda continuou seguindo as criaturas sem saber que seu amigo, o drow Venorik, a seguia furtivamente. Depois de um tempo, percebendo que o casal da floresta a estava afastando do acampamento, Zanne deu meia volta e preparava-se para retornar quando ouviu a mulher gritar assustadoramente. Virou-se e não conseguiu ver nenhum dos dois então gritou por ajuda e em poucos minutos todos os heróis estavam perto dela.

O grupo correu até uma pequena clareira onde o casal aguardava dentro de uma pequena lagoa rasa. Atrás deles, uma caverna irradiava uma extranha luz azulada. Gaultak ia falar com as criaturas quando elas gritaram com uma voz inumana e mudaram de forma. Agora, o belo casal estava totalmente transfigurado. Sua pele parecia feita de madeira e seus rostos eram escuros e sem a mesma forma delicada de antes. Pareciam plantas humanóides. Atrás da lagoa, uma enorme pilha de galhos e folhas levantou-se e uma criatura disforme, feita de vegetação avançou para atacar os aventureiros. A cada golpe, o monstro soltava descargas eletricas que castigavam Arathon e seus companheiros. Porém, graças ao trabalho em equipe, as dríades e o monstro feito de plantas foram derrotados.

O grupo então decidiu entrar e explorar a caverna e para sua surpresa encontraram um pequeno poço cavado na pedra. Sua água era límpida mas emanava a extranha luz que eles haviam visto. Arathon, sem pensar duas vezes, bebeu da água e sentiu-se revigorado. Sobre o poço, a uma certa altura do chão, uma enorme espada reluzente pairava no ar. O jovem e impulsivo dragonborn não esperou nem dois minutos e resolveu tocar a espada, desaparecendo intantaneamente. Os demais heróis fizeram o mesmo, esperando encontrar seu companheiro e logo o grupo todo estava dentro de uma sala feita de pedras grandes e azuis. Não havia nenhum tipo de janela e a única porta, um portal duplo feito de um metal azulado e desconhecido mostrava um guerreiro com armadura e elmos completos. Venorik pensou que talvez pudesse abrir a fechadura mas nesse instante os olhos do guardião brilharam e ele falou dentro das mentes dos heróis.

“Quem me faz não me quer. Quem me compra não precisa de mim. Quem me recebe nem ao menos se importa”.

Depois de uma longa discussão, Kristryd falou baixo e depois aumentou o tom de voz para se fazer ouvir: “é um caixão!”

Os olhos da estátua brilharam e a porta de metal se abriu. Os aventureiros estavam agora dentro de uma sala vermelha onde duas portas se erguiam diante deles. A primeira, vermelha, hostantava um demônio feito de metal. A segunda passava delicadeza, com um anjo olhando para os céus.

Gaultak, Venorik e Arathon foram até a porta com o demônio entalhado e ao tocá-la ouviu-se novamente a voz: “Tenho rios sem água, montanhas sem rocha, florestas sem árvores e aldeias sem choças.”

Rapidamente Gaultak lembrou-se dessa charada e disse: “um mapa!”

A porta se abriu com um estalo e dianbte deles havia um altar com uma longa espada de duas mãos, feia e mal feita mas que parecia ser uma arma fantástica. Os heróis então foram até a porta do anjo e de subito a porta falou com eles de novo: “O que devo colocar em um barril para deixá-lo mais leve?”

Depois de muito pensar, Venorik tentou. “Um furo!” Sua resposta estava correnta e a porta se abriu. Os heróis entraram num grande salão com colunas verdes, cujas paredes estavam repletas de espelhos. No centro do salão havia um trono de jade e sobre ele uma criatura extrenha olhava para os heróis.

“Que bom que sobreviveram às minhas armadilhas, Fico feliz!”

“Quem é você? perguntou Zanne. A criatura apenas riu e disse que todos seriam poupados, desde perdessem o combate cotnra ele. Subitamente, as imagens dos heróis refletidas pelos inúmros espelhos ganharam vida e atacaram.

O Mestre dos Espelhos era uma criatura poderosa que desejava apenas divertir-se criando labirintos e testes para os incautos. Sua maior criação, o salão dos espelhos era sua mais mortal armadilha pois as cópias dos heróis eram praticamente imbatíveis, uma vez que, quando eram atingidas pelos golpes dos originais, não pareciam sentir dor alguma e os ferimentos apareciam na própria carne de Gaultak e seus companheiros. A batalha estava quase perdida quando os heróis perceberam que, quando Kayron caiu inconsciente, sua cópia desapareceu. Então, Gaultak atacou seus próprios amigos com a espada, tomando cuidado para atingí-los com a parte chata da lâmina. Venorik caiu facilmente e Arathon foi derrotado pela cópia de Kristryd. No fim, apenas Zanne estava de pé. A barda curou Kayron e ambos enfrentaram suas cópias.

Porém, os dois perceberam o real poder das cópias geradas pelo Mestre dos Espelhos e então, num excelente trabalho em equipe, a barda e o clérigo atacaram suas cópias. Zanne disparava seu arco contra o falso Kayron, enquanto o tiefling lançava o poder de Pelor contra a falsa Zanne. Em pouco tempo, os dois derrotaram suas cópias da forma como deveriam ter feito desde o início.

O Mestre dos Espelhos, atônito, encarou a dupla por alguns instantes e logo começou a rir novamente.

“Excelente!”_ gritou com sua voz esganiçada _“Vocês são ótimos! Que divertido!”

Kayron e Zanne, que agora dava uma poção de cura a Arathon não conseguiam aceitar que a terrivel batalha fora apenas um teste, uma brincadeira feita por uma criatura poderosa. Depois de muito dialogar com o Mestre dos Espelhos, os heróis receberam uma armadura e manoplas mágicas além de uma bolsa com poderes místicos. A criatura abriu um portal diante deles e ordenou que o deixassem em paz e que levassem seus amigos caidos.

Eles tentaram argumentar mas foram logo dispensados. A criatura mostrou no portal diversos lugares e entre eles Dassanter, a pequena vila junto ao rio, em chamas. Zanne insistiu que o portal os levasse de volta à Floresta das Aranhas onde o cavalo de Gaultak esperava e logo os heróis entraram no portal, sendo observados pela bizarra criatura que os aprisionara.

Ao chegarem à clareira na floresta, Kristryd, Gaultak e Venorik despertaram. O grupo estava bem e Kayron tratou seus ferimentos rapidamente. Eles decidiram acampar e pensar no que fariam a seguir…

Comments

juliocmbaia

I'm sorry, but we no longer support this web browser. Please upgrade your browser or install Chrome or Firefox to enjoy the full functionality of this site.